domingo, 6 de março de 2011
Wikileaks: suspeito da Al-Qaeda vive em Portugal há oito anos
por Cláudia Garcia, Publicado em 05 de Março de 2011 | Actualizado há 20 horas
Estará Bin Laden no Irão? A última pista aponta nesse sentido
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Um empresário sírio que vive em Portugal há oito anos e tem nacionalidade portuguesa é suspeito de ter ligações a Ibrahim Buisir, um líder da Al-Qaeda na Europa, classificado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, como um "colaborador próximo" de Bin Laden. O empresário português foi investigado pelas autoridades norte-americanas em 2008 e confessou ao semanário Expresso que acredita ter o seu telefone sobre escuta. Todos os dados pessoais do cidadão português de origem síria constam de um telegrama confidencial enviado para Washington a 14 de Novembro de 2008 pelo então embaixador americano em Lisboa, Thomas Stephenson.
As autoridades norte-americanas foram alertadas de que o empresário estaria em contacto permanente com Ibrahim Buisir, um libanês, que vive na Irlanda desde 1982, onde adquiriu a nacionalidade. Buisir é apontado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos como elo de ligação a actividades de financiamento da Al-Qaeda, segundo as descrições do então embaixador americano em Lisboa, que constam no documento. De acordo com informações de Washington, reveladas hoje pelo semanário Expresso, Buisir "dirigiu uma célula europeia da Al-Qaeda que apoia várias operações ao providenciar viagens e condições de alojamento na Europa". A Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária também "está a acompanhar a situação". No entanto, não tem, neste momento, qualquer investigação em curso sobre o suspeito.
O empresário português de origem síria poderá ter sido alvo de escutas telefónicas, que revelaram a sua ligação a Buisir. As escutas não partiram de Portugal, pelo menos de forma lega, porque segundo o "Expresso" a PJ – única entidade que as pode fazer legalmente em Portugal – não interceptou o suspeito. No entanto, o próprio revelou ao "Expresso" que "há muito que desconfia estar sob escuta", porque ouve "barulhos estranhos" e o eco da sua própria voz, enquanto fala ao telefone. As intercepções telefónicas podem ter partido da Irlanda, tendo Buisir como alvo principal e interceptado alguma conversa com o suspeito português. O que justifica o facto da embaixada norte-americana em Portugal ter sido alertada.
Há cerca de três anos, o cidadão português de origem síria, conta ter sido abordado por um indivíduo que lhe fez várias perguntas sobre terrorismo e sobre um cidadão de origem árabe na Irlanda. No entanto, o empresário negou conhecer alguém chamado Ibrahim Buisir, admitindo já ter tido um cliente irlandês, "com outro nome". O suspeito que antes de se instalar em Portugal viveu cinco anos na Arábia Saudita nunca tentou entrar nos Estados Unidos. No dia em que consiga aterrar num aeroporto norte-americano, o português, que no telegrama vem citado com um "00 hit" será levado para uma sala para ser inquirido por agentes do FBI.
E ASSIM ANDA O SUOR DE QUEM TRABALHA
Segundo explica o jornal, dois dos membros do grupo, que custou ao Estado cerca de 209 mil euros, acusam o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) de nunca ter proporcionado as condições para o seu funcionamento.
O Público escreve que um dos membros, o ex-director regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Marques, responsabiliza o secretário de Estado da Cultura, Elísio Sumavielle, pelo falhanço do projecto.
Chamava-se Grupo de Trabalho para o Património Imaterial tinha por objectivo um levantamento em «campo», «sistemático» e «tendencialmente exaustivo» do património cultural imaterial português.
Este levantamento devia ter sido concluído a 31 de Dezembro deste ano. Como explica o Público, entre os bens estavam «as tradições e expressões orais», «as expressões artísticas e manifestações de carácter performativo» e «as práticas sociais, rituais e eventos festivos».
SOL
sábado, 5 de março de 2011
INDIGNAÇÃO

A palavra é indignação!
Resolvi narrar este fato, pois ele me gerou um sentimento de revolta imenso,diante do sofrimento alheio, presenciado por mim e por tantas outras pessoas que estavam à volta de um morador de rua, idoso, caído em um canteiro, completamente inconsciente, em frente ao supermercado mais próximo de minha casa.
Hoje, por volta das 12h30min, como já é hábito, mais uma vez na semana, eu recorri ao supermercado para comprar alimentos a fim de fazer o almoço. Ao me aproximar da porta de entrada, notei várias pessoas aglomeradas ao redor de um senhor idoso, pelo que dava para perceber era um, mais um dentre milhões de excluídos neste país, morador de rua.
Uma moça realizava uma operação de primeiros socorros, mas de nada adiantava, ele parecia estar desmaiado completamente. Observei que ela colocava água de coco em sua boca, através de um canudinho da própria embalagem e a mantinha aberta com a outra mão. Enquanto isso, um funcionário do supermercado despejava água fria em sua cabeça, na tentativa de acordá-lo e refrescá-lo da insolação e (provavelmente) do coma alcoólico em que se encontrava. Logo fui chegando para bem perto do grupo na tentativa de ajudar. Procurei saber o que tinha acontecido antes da minha chegada, e foi-me dito que ele estava naquelas condições há dois dias e que precisava de auxílio. Eu e outra senhora que estava ao meu lado, rapidamente, fomos para o telefone público, situado dentro do supermercado, com a finalidade de chamar o SAMU, do Hospital de Pronto Socorro Municipal, fone 192. Qual foi a nossa surpresa, quando liguei pela primeira vez para esse pronto atendimento e, após explicar o fato ocorrido com tal morador de rua, e me identificado também, o médico negou-se a vir atender a essa ocorrência, porque eu não tinha condições de dar os dados completos da situação do senhor, ou seja, se ele respondia neurologicamente, se ele estava desmaiado, respiração etc. Falei para ele que era para isso mesmo que eu estava chamando a ambulância, a fim de que fosse atendido por uma pessoa especializada e verificasse o que havia acontecido. Ele, mais uma vez, me disse que não iria por falta de informações (técnicas). Disse para ele que eu estava fazendo a minha parte, e que ele deveria fazer a sua.
Voltamos indignadas ao local onde se encontrava tal pessoa. Narramos o fato e foi consenso de todos que voltássemos a ligar para o fone 192. Desta vez, foi a senhora que estava me acompanhando a autora da ligação. Aconteceu o mesmo procedimento inicial, a secretária atendeu e passou para o médico. Ela se identificou, perguntou o nome dele também, e ele ratificou que não iria, pois morador de rua não é da alçada do Pronto Socorro, que ela deveria chamar outro órgão para recolhê-lo. Ela falou que ele estava mal e que precisava de ajuda. Automaticamente passou-me o telefone e eu segui a conversa. Expliquei, quase gritando de tanta raiva, que pagamos o salário dele através dos impostos, e que esse serviço não poderia escolher os pacientes. Só porque era morador de rua, ele estava negligenciando o atendimento, se fosse um burguês, a ambulância viria imediatamente. Sabe o que ele me respondeu? “Se fosse um burguês, certamente, não estaria nessa situação, teria familiares e sua residência, mas morador de rua tem que morrer na rua mesmo”! Larguei, completamente revoltada, vários impropérios responsabilizando-o pela morte do senhor, caso ela viesse a ocorrer. Sabe o que ele me disse? “A culpa será da senhora que não me deu os dados neurológicos completos”. Inadmissível tal procedimento por parte de um serviço público de Porto Alegre. Segundo a Constituição Brasileira, ninguém não poder negar assistência a ninguém, pois omissão e discriminação são crimes. Temos, neste caso, um exemplo vivo de desrespeito absoluto ao ser humano, de omissão de socorro e discriminação sócio-econômica. Onde ficou o juramento de tal médico? Para que pagamos impostos? Morador de rua não é gente?
Voltamos para lá e narramos novamente o acontecido. Em seguida, chamamos a polícia e telefonamos para um órgão encarregado de recolher os desabrigados. Pasmem! A Brigada Militar veio e nos disse que não era da competência dela recolhê-lo ou levá-lo naquelas condições ao hospital. Então, falamos que ele poderia morrer ali, sem o devido atendimento. Sabe o que eles nos disseram? “Se ele não morrer aqui, nesta esquina, morrerá ali na outra. Isso é um problema social, senhora”! Nem o tal órgão veio socorrê-lo, com a desculpa de que somente recolhem crianças e adolescentes. Ficamos chorando ao lado de tal indivíduo, eu, a senhora que me acompanhava mais de perto e um professor universitário, que conseguiu todos os telefones assistenciais. Passada uma hora aproximadamente, o morador de rua desmaiado já estava semi-acordado, tomando muita água geladinha e totalmente desorientado. Nem mesmo alguém do ponto de táxi, que ficava bem à nossa frente, se interessou por levá-lo ao hospital. Tentamos conversar um pouco com ele, mas não conseguíamos entender nada do que falava. O senhor ficou sentado, à sombra, tomando muita água e sob os cuidados de um funcionário do supermercado, que iria levá-lo para um lugar melhor e providenciar algum alimento para ele.
Voltamos todos para as nossas casas, para os nossos portos seguros, revoltados com o nível de indiferença a que o ser humano chegou em relação ao seu semelhante. De certa forma, todos nós temos uma parcela de culpa, sim, por haver indigentes nas ruas, dormindo pelos quatro cantos da cidade, ao relento. Nós nos submetemos ao sistema, consciente ou inconscientemente, achamos que sempre foi assim e que nada poderemos fazer para mudar esse estado de coisas. Cuidamos somente do nosso umbigo, nós nos deixamos docilizar, nós não nos rebelamos quando alguém nos atinge ou atinge o nosso semelhante, deixando tudo por conta da impunidade. Nós nos escondemos de nós mesmos por puro medo e comodismo. Eu não quero ser uma “aspirina social”, eu quero muito viver num país onde todos tenham os mesmos direitos e a mesma igualdade de condições, onde a paz e o amor sejam o norte das pessoas. Brasil, “que país é este”?



