sexta-feira, 18 de março de 2011
A DESUMANIDADE EM PLENO
LIBIA E OS INTERESSES (JOGOS)
Será mesmo assim ?
E tudo aqui tão perto...
Para nos ajudar a compreender o que está em causa na Líbia.
Não é, podem crer, o Kadafi.
A Líbia no grande jogo da nova partição da África
por Manlio Dinucci [*]
Fogem da Líbia não apenas famílias que temem pelas suas vidas e imigrantes pobres de outros países norte-africanos. Há dezenas de milhares de "refugiados" que estão a ser repatriados pelos seus governos por meio de navios e aviões: são principalmente engenheiros e executivos de grandes companhias de petróleo.
.
Não só a ENI [Itália], a qual realiza cerca de 15 por cento das suas vendas a partir da Líbia, mas também outras multinacionais europeias - em particular, a BP [Grã-Bretanha], Royal Dutch Shell [Holanda/Inglaterra], Total [França], BASF [Alemanha], Statoil [Noruega], Repsol [China/Espanha]. Centenas de empregados da Gazprom [Rússia] foram também forçados a deixar a Líbia e mais de 30 mil trabalhadores chineses da sua companhia de petróleo e de construção. Uma imagem simbólica de como a economia líbia está interconectada com a economia global, dominada pelas multinacionais.
.
Graças às suas ricas reservas de petróleo e gás natural, a Líbia tem uma balança comercial positiva de US$27 mil milhões por ano e um rendimento per capita médio-alto de US$12 mil, seis vezes maior que o do Egipto. Apesar de fortes diferenças entre rendimentos altos e baixos, o padrão de vida médio da população da Líbia (apenas 6,5 milhões de habitantes em comparação com os cerca de 85 milhões no Egipto) é portanto mais elevado do que o do Egipto e de outros países da África do Norte.
.
Testemunho disso é o facto de que cerca de um milhão e meio de imigrantes, principalmente norte-africanos, trabalha na Líbia. Uns 85 por cento das exportações líbias de energia vêm para a Europa: a Itália em primeiro lugar com 37 por cento, seguida pela Alemanha, França e China. A Itália também está em primeiro lugar em exportações para a Líbia, seguida pela China, Turquia e Alemanha.
.
Esta estrutura agora explodiu devido ao que pode ser caracterizado não como uma revolta das massas empobrecidas, tal como as rebeliões no Egipto e na Tunísia, mas como umas guerra civil real, em consequência de uma divisão no grupo dominante. Quem quer que seja que tenha feito o primeiro movimento explorou o descontentamento contra o clã Kadafi, que prevalece especialmente entre as populações da Cirenaica e entre jovens nas cidades, num momento em que toda a África do Norte tomou o caminho da rebelião. Ao contrário do Egipto e da Tunísia, contudo, o levantamento líbio foi planeado previamente e organizado.
.
As reacções na arena internacional também são simbólicas. Pequim disse estar extremamente preocupada acerca dos desenvolvimentos na Líbia e apelou a "um rápido retorno à estabilidade e normalidade". A razão é clara: o comércio sino-líbio experimentou crescimento forte (cerca de 30 por cento só em 2010), mas agora a China verifica que toda a estrutura das relações económicas com a Líbia, da qual importa quantidades crescentes de petróleo, foram postas
.
O sinal de Washington é diametralmente oposto: o presidente Barack Obama, que quando confrontado com a crise egípcia minimizou a repressão desencadeada por Mubarak e apelou a uma "transição ordenada e pacífica", condenou o governo líbio em termos inequívocos e anunciou que os EUA está a preparar "o conjunto completo de opções que temos disponíveis para responder a esta crise", incluindo "acções que possamos empreender por nós próprios e aquelas que possamos coordenar com os nossos aliados através de instituições multilaterais".
.
A mensagem é claro: há a possibilidade de um intervenção dos EUA/NATO na Líbia, formalmente para interromper o banho de sangue. As razões também são claras: se Kadafi for derrubado, os EUA seriam capazes de fazer ruir toda a estrutura das relações económicas com a Líbia, abrindo o caminho para multinacionais com base nos EUA, até agora quase totalmente excluídas da exploração das reservas de energia na Líbia. Os Estados Unidos poderiam então controlar a torneira de fontes de energia sobre as quais a Europa depende amplamente e que também abastecem a China.
.
Trata-se de acontecimentos no grande jogo da divisão dos recursos africanos, pelos quais uma confrontação crescente, especialmente entre a China e os Estados Unidos, está a verificar-se. A potência asiática em ascensão - com a presença na África de cerca de 5 milhões de administradores, técnicos e trabalhadores - constrói indústrias e infraestrutura, em troca de petróleo e outras matérias-primas.
.
Os Estados Unidos, que não podem competir a este nível, podem utilizar a sua influência sobre as forças armadas dos principais países africanos, as quais são treinadas através do Africa Command (AFRICOM), o seu principal instrumento para a penetração do continente. A NATO agora também está a entrar no jogo, pois está prestes a concluir um tratado de parceria militar com a União Africana, a qual inclui 53 países.
.
A sede da parceria da União Africana com a NATO já está em construção
Do mesmo autor: Libya - When historical memory is erased
[*] Jornalista
O original encontra-se
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23413
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
Posted by Jose Martins at 09:08 ![]()
quinta-feira, 17 de março de 2011
A PRESSA DOS CHIPS
Estão a ver a pressa de aprovar os ditos chips...
É só coincidência?
Corruptos em Portugal
"A maior razão para não conhecer as respostas, é não ter feito as perguntas".
O RODOPIO DOS BOYS
Depois de ter dois ex-assessores (este e este) a trabalhar para a sua área, nomeou dois ex-sócios para trabalharem na área que tutela.
"picado" do 31 da armada
COMENTÁRIO: O secretário de Estado adjunto das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Paulo Campos!!! É este o nome a reter!!! Sim, o mesmo dos chips das Scuts...
ESTA MERDA NÃO VAI ACABAR???
Não há portugueses desesperados e com tomates que acabem com isto com um pum...?
SCUTS: Polémica no Ministério das Obras Públicas
Assessor dirige firma de chips
Um assessor do secretário de Estado Paulo Campos deixou o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações para assumir o cargo de administrador executivo em Portugal da Q-Free, empresa fornecedora dos chips de matrícula que o Governo queria usar nas Scut. O gabinete de Paulo Campos diz que as "opções profissionais" do ex-assessor são "da sua inteira responsabilidade".
Por:Sandra Rodrigues dos Santos
De acordo com o o semanário ‘Expresso’, Pedro Bento foi assessor do governante até que, em Outubro do ano passado, passou para a administração da empresa pública que gere o sistema de pagamentos nas auto-estradas. O gestor e antigo capitão da Força Aérea pediu uma licença sabática em Janeiro último, e, em Março, assumiu a direcção da representação portuguesa da marca norueguesa que forneceu os equipamentos electrónicos instalados nos pórticos das três Scut que vão ser portajadas e os controversos chips.
Em comunicado emitido ontem, o Ministério das Obras Públicas sublinha que as relações e de trabalho de Pedro Bento com o gabinete governamental cessaram, "a seu pedido" em Dezembro de 2009. O documento adianta que "as opções profissionais tomadas pelo dr. Pedro Bento são da sua inteira responsabilidade e no âmbito das suas escolhas pessoais e éticas".
O gabinete de Paulo Campos considera, ainda, "abusivo" que se associe o secretário de Estado à contratação do ex-assessor pela Q-Free e frisa que o contrato de venda de equipamento foi concluído antes de Pedro Bento se juntar à empresa norueguesa.
Esta não é, porém, a primeira vez que um ex-assessor de Paulo Campos se vê envolvido
APONTAMENTOS
PERFIL
Pedro Bento é licenciado em gestão pela Academia da Força Aérea e foi capitão da Força Aérea até 2006, ano em que ingressou na PricewaterhouseCoopers, segundo escreve o próprio nos seus perfis nas redes Linkedin e Facebook.
EMPRESA
A Q-Free é uma empresa norueguesa de equipamento electrónico de pagamento em estrada que, segundo o site da mesma, fez o seu primeiro grande negócio nos mercados internacionais em Portugal, com a Brisa.
PSD AGUARDA AS RESPOSTAS DO GOVERNO
O vice-presidente do PSD Marco António Costa afirmou ter "sérias dúvidas" de que seja possível introduzir portagens no dia 1 de Julho nas três Scut do Norte e que a "responsabilidade é do Governo".
"Aquilo que dependia de nós [PSD] ficou manifestado com clareza no Parlamento. Agora está o País a aguardar que o Governo seja capaz de concretizar e objectivar as afirmações vagas que tem feito relativamente às intenções que tem sobre o modelo que pretende adoptar no alargamento e cobrança das portagens", salientou vice--presidente do PSD. Marco António Costa adiantou que "as pessoas do Norte sentem uma enorme incompreensão pela postura que o Governo tem assumido".
Trabalhos foram encomendados por ajuste directo
Scut: CDS exige explicações sobre adjudicação de estudos a empresa fundada por assessor do Governo 
28.10.2006 - 18:35 Por Lusa, PUBLICO.PT
O CDS-PP exigiu que o primeiro-ministro explique no Parlamento a adjudicação de estudos sobre a introdução de portagens nas Scut a uma empresa fundada por um adjunto de um secretário de Estado.
Os estudos determinaram introdução de portagens em três auto-estradas (Hugo Delgado/PÚBLICO (arquivo))
A notícia é avançada pela edição de hoje do semanário “Sol”, segundo o qual o Governo encomendou, por ajuste directo, dois estudos sobre as auto-estradas sem portagem à F9 Consulting, um empresa fundada em 2001 por Vasco Gueifão, actual adjunto do secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos.
Ainda de acordo com o semanário, os dois estudos, no valor de 275 mil euros, foram pagos pela Estradas de Portugal (EP), entidade tutelada por Paulo Campos.
"É injustificado, chocante e imoral que o Governo adjudique por ajuste directo estes estudos, que nem sequer eram necessários porque os factos são conhecidos, ainda para mais a uma empresa que teve como sócio um actual adjunto do secretário de Estado", afirmou Nuno Melo, líder parlamentar do CDS.
"À mulher de César não basta ser séria, é preciso parecê-lo. E este caso não me parece sério", acrescentou o dirigente popular, sustentando que o assunto deve constar da agenda do próximo debate mensal com o primeiro-ministro no Parlamento, a realizar ainda antes da discussão do Orçamento do Estado para 2007.
Nuno Melo revelou que o CDS-PP vai requerer também a presença do ministro das Obras Públicas, Mário Lino, e do secretário de Estado em comissão "para prestar as necessárias explicações", exigindo, designadamente, "uma discriminação do trabalho" dos dois estudos "que justificou um custo tão elevado".
Secretário de Estado denuncia em ataque político
O secretário de Estado das Obras Públicas já comentou hoje a notícia do semanário”Sol”, considerando-a uma "mistificação" e um "ataque político" para "descredibilizar o estudo" que determinou a introdução de portagens em três das sete auto-estradas até agora sem custos para o utilizador.
Trata-de se um estudo “rigoroso e que foi validado por uma consultora internacional reputada", argumentou.
Paulo Campos sublinhou que o valor pago pelos estudos não obriga à contratualização por concurso público e garantiu que o ajuste directo foi conduzido pela Estradas de Portugal (EP) e não pela secretaria de Estado, num processo que classificou de "completamente transparente".
Quanto ao seu adjunto, o secretário de Estado garantiu que Vasco Gueifão foi contratado "por ter um passado profissional de competência" e salientou que "assim que entrou, vendeu as acções na consultora" F9 Consulting
O LABIRINTO DE SOCRATES
O labirinto de Sócrates, o mitómano
por Daniel Oliveira
Que José Sócrates tem uma relação difícil com a verdade é coisa que todos sabemos. Mas a entrevista de terça-feira ultrapassou tudo o que poderíamos esperar.
Na versão de Sócrates, o que foi apresentado e elogiado pela Europa não são mais do que propostas. É falso. São propostas fechadas. Que não foi negociado com a Europa. É falso. É a moeda de troca para garantir que o FMI não virá e que será encontrada outra forma de auxílio externo. Que está apenas a tentar precaver uma situação difícil. É falso. A situação difícil já aí está. Que está aberto a propostas da oposição. É falso. Qualquer proposta de oposição que seja mais do que um mero adereço impedira esse acordo com a Europa e, muito em especial, com a senhora Merkel.
Na terça-feira, José Sócrates fez o que faz sempre, mas de forma ainda mais despudorada: simulou uma realidade que todos sabemos só existir nas suas palavras e construiu toda a sua argumentação com base nas suas próprias mentiras. É o que fazem os mitómanos. Só não sabemos se, como eles, Sócrates acredita nas suas próprias mentiras.
As mentiras de Sócrates não fazem aumentar o défice ou as taxas de juro. Não é por temos como primeiro-ministro um homem em que a coincidência dos factos com as suas palavras só acontece por mero acaso que estamos na situação económica em que estamos. Infelizmente, a realidade é bem mais complexa do que isso. E o PEC que Sócrates apresenta, ditado pela cegueira europeia, não resolverá coisa nenhuma.
Os danos causados pelas mentiras de Sócrates são outros, e também eles graves. Primeiro: todo o processo político é, com ele, um interminável quebra-cabeças. No labirinto de mentiras que ele próprio constrói tudo vai a dar a becos sem saída. E nesses becos, esbarramos sempre com a mesma chantagem: a da crise política. O segundo: de cada vez que o primeiro-ministro fala degrada a imagem das instituições democráticas. O contrato entre um eleito e os seus eleitores depende da credibilidade do eleito. Se nunca sabemos se o homem que nos governa nos está a dizer a verdade - se temos mesmo de partir sempre do princípio que nos está a mentir -, ele perde toda a autoridade moral para nos governar. E, sendo eleito, retira com as suas mentiras autoridade à democracia. E isso é relevante.
Publicado no Expresso Online
PEÇA DE TEATRO
Arnaut junta-se a Passos Coelho para dizer que "a peça de teatro chegou ao fim"
O ex-ministro social-democrata José Luís Arnaut acusou hoje José Sócrates de estar "à procura de uma forma de saída tentando fugir às suas responsabilidades, vitimizando-se" e responsabilizando o PSD, considerando que não há peça de teatro que "lhes valha". Em declarações à Agência Lusa, o social-democrata José Luis Arnaut disse ser "claro que o primeiro-ministro está numa grande encenação", considerando que esta existe por José Sócrates "ter consciência absoluta que a situação em que está o país e a que ele levou o país é mais grave do que é o conhecimento público em geral". "Por isso, não há peça de teatro, encenação e vitimização que lhes valha", garantiu. Para Arnaut, "só é pena que nesta peça de teatro e de encenação o primeiro-ministro esteja a esquecer os interesses do país e dos portugueses, como se não bastasse tudo o que já fez e o buraco para onde" atirou Portugal.




